Fernão de Magalhães

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Fernão de Magalhães (anónimo, século XVI ou XVII).
Fernão de Magalhães (anónimo, século XVI ou XVII).

Fernão de Magalhães[1] (Sabrosa, uma vila portuguesa no Distrito de Vila Real, Região Norte primavera de 1480Cebu, Filipinas, 27 de Abril de 1521) foi um navegador português, filho de Rodrigo de Magalhães e de Alda de Mesquita que, ao serviço do rei de Espanha, comandou a expedição marítima que efectuou a primeira viagem de circum-navegação ao globo. Foi o primeiro a atravessar o estreito hoje conhecido pelo seu nome (o Estreito de Magalhães) e o primeiro europeu a navegar no Oceano Pacífico. Fernão de Magalhães morreu nas Filipinas no curso daquela expedição, posteriormente chefiada por Juan Sebastián Elcano 1522.

Índice

[editar] Primeiras viagens

Alista-se com 25 anos na Armada da Índia, numa frota de 22 navios, comandada por Francisco de Almeida, embora o seu nome não figure nas crónicas; sabe-se no entanto que ali permaneceu oito anos, que esteve em Goa, Cochim, Quíloa, acompanhou Diogo Lopes de Sequeira a Malaca, viagem que acabou em naufrágio e comanda uma nau na Batalha de Diu. No Oriente, Magalhães estabeleceu estreitas relações de amizade com Francisco Serrão, que veio a ser feitor nas Molucas; e dele teria tido informações quanto à situação dos lugares produtores de especiarias.

Tendo-se distinguido na defesa de Azamor em Marrocos, em que acompanhara o duque de Bragança Jaime I, pediu a D. Manuel I uma recompensa para seus feitos; mas os boatos que corriam sobre a maneira pouco escrupulosa como dividira as presas de uma incursão tinham chegado aos ouvidos do Rei. Este, apesar das suas justificações, e não o considerando culpado, não lhe concedeu as mercês pedidas.

[editar] A circunavegação

Armada inicial da expedição de Magalhães, 1519
Navio Tonelagem Tripulação
Trinidad 110 55
San Antonio 120 60
Concepcion 90 45
Victoria 85 42
Santiago 75 32
Total: 234

Em 1517 foi a Sevilha com Rui Faleiro, tendo encontrado no feitor da "Casa de la Contratación" da cidade um adepto do projecto que entretanto concebera: dar a Espanha a possibilidade de atingir as Molucas pelo Ocidente, por mares não reservados aos portugueses no Tratado de Tordesilhas e, além disso, segundo Faleiro, provar que as ilhas das especiarias se situavam no hemisfério castelhano.

Com a influência do bispo de Burgos conseguiram a aprovação do projecto por parte de Carlos V, e começaram os morosos preparativos para a viagem, cheios de incidentes; depois da ruptura com Rui Faleiro, Magalhães continuou a aparelhagem dos cinco navios que, com 256 homens de tripulação, partiram de Sanlúcar de Barrameda em 20 de Setembro de 1519. A esquadra tinha cinco navios e uma tripulação total de 234 homens.

Antonio Pigafetta, escritor italiano que havia pago do seu próprio bolso para viajar com a expedição, escreveu um diário completo de toda a viagem, possibilitado pelo fato de Pigafetta ter sido um dos 18 homens a retornar vivo para a Europa. Dessa forma, legou à posteridade um raro e importante registro de onde se pode extrair muito do que se sabe sobre este episódio da história.

Navio de Magalhães, o Victoria
Navio de Magalhães, o Victoria

A armada fez escala nas ilhas Canárias e alcançou a costa da América do Sul, chegando em 13 de Dezembro ao Rio de Janeiro. Prosseguindo para o sul, atingiram Puerto San Julian à entrada do estreito, na extremidade da atual costa da Argentina, onde o capitão decidiu hibernar. Irrompeu então uma revolta que ele conseguiu dominar com habilidosa astúcia. Após cinco meses de espera, período no qual a "Santiago" foi perdida em uma viagem de reconhecimento, tendo os seus tripulantes conseguido ser resgatados, Magalhães encontrou o estreito que hoje leva seu nome, aprofundando-se nele. Em outra viagem de reconhecimento, outra nau foi perdida, mas desta vez por um motim na "San Antonio" onde a tripulação, sem que soubesse seu capitão-mor, iniciou uma viagem de volta (realmente estes completaram a viagem, espalhando ofensas contra Fernão de Magalhães na Espanha).

Apenas em Novembro a esquadra atravessaria o Estreito, penetrando nas águas do Mar do Sul (assim baptizado por Balboa), e baptizando o oceano em que entravam como «Pacífico» por contraste às dificuldades encontradas no Estreito. Depois de cerca de quatro meses, a fome, a sede e as doenças (principalmente o escorbuto) começaram a dizimar a tripulação. No Pacífico que encontrou as nebulosas que hoje ostenta o seu nome - as nebulosas de Magalhães.

Em Março de 1521, alcançaram a ilha de Ladrões no actual arquipélago de Guam, chegando à ilha de Cebu nas actuais ilhas Filipinas em 7 de abril. Imediatamente começaram com os nativos as trocas comerciais; boa parte das grandes dificuldades da viagem tinham sido vencidas. Dias depois, porém, Fernão de Magalhães morreu em combate com os nativos na Ilha de Mactan, atraído a uma emboscada.

A expedição prosseguiu sob o comando de João Lopes Carvalho, deixando Cebu no início de março de 1522. Dois meses depois, seria comandada por Juan Sebastián Elcano.

[editar] O regresso

Mapa da expedição: a vermelho a rota percorrida, e a verde indica-se o local onde faleceu Fernão de Magalhães.
Mapa da expedição: a vermelho a rota percorrida, e a verde indica-se o local onde faleceu Fernão de Magalhães.

Decidiram incendiar a nau Concepción, visto o pequeno número de homens para operá-la, e finalmente conseguiram chegar às Molucas, onde obtiveram seu suprimento de especiarias. Trinidad acabou ali permanecendo para reparos e a "Victoria" voltou sozinha para casa, contornando o Índico pelo sul, a fim de não encontrar navios portugueses. A Trinidad, após os reparos tentou seguir uma rota pelo Pacífico até a América Central, onde poderia contactar os espanhóis e levar sua carga, no entanto acabou tendo de retornar às Molucas onde seus tripulantes foram aprisionados pelos portugueses que haviam chegado. A nau "Victoria" dobrou o Cabo da Boa Esperança em 1522, fez escala em Cabo Verde, onde alguns homens foram detidos pelos portugueses, alcançando finalmente o porto de S. Lúcar de Barrameda, com apenas 18 homens na tripulação.

Uma única nau tinha completado a circum-navegação do globo ao alcançar Sevilha em 6 de Setembro de 1522. Juan Sebastián Elcano, a restante tripulação da expedição de Magalhães e o último navio da frota regressaram decorridos três anos após a partida. A expedição de facto trouxe poucos benefícios financeiros, não tendo a tripulação chegado a receber o pagamento.

[editar] Cronologia

  • 1480 - Data provável do nascimento de Fernão de Magalhães, na vila de Sabrosa, em Portugal.
  • 1505 - Partiu para a Índia na armada de D. Francisco de Almeida.
  • 1509 - Sob o comando de Lopes Sequeira participou na desastrosa expedição a Malaca; fez grande amizade com Francisco Serrão.
  • 1511 - Participou, sob o comando de Afonso de Albuquerque, na conquista de Malaca.
  • 1513 - Regressou a Lisboa.
  • 1514 - Foi ferido em combate, em Azamor (Marrocos); novamente em Lisboa, D. Manuel recusou-lhe o aumento na tença.
  • 1517 - Dirigiu-se a Sevilha para apresentar a Carlos V o seu plano de alcançar as Ilhas das Especiarias pelo Ocidente.
  • 1519 - Iniciou a que foi a primeira viagem de circum-navegação; alcançou a baía da Guanabara.
  • 1520 - Alcançou a foz do Rio da Prata; fez invernada na baía de S. Julião; dominou um motim; atravessou o Estreito e alcançou o Oceano Pacífico.
  • 1521 - Descobriu a Ilha dos Ladrões; descobriu o arquipélago das Filipinas e aí foi morto em combate.
  • 1522: Juan Sebastián Elcano concluiu a primeira viagem de circum-navegação.

[editar] Tripulação

Estes 18 homens regressaram a Sevilha no Victoria em 1522:
Nome Posto
Juan Sebastián de Elcano, de Getaria Mestre
Francisco Albo, de Axio Piloto
Miguel de Rodes Piloto
Juan de Acurio, de Bermeo Piloto
António Lombardo (Pigafetta), de Vicenza Supernumerário
Martinho de Judicibus, de Génova (Savona) Chefe de embarcação
Hernando de Bustamante, de Alcántara Marinheiro
Nicolas o Grego, de Nápoles Marinheiro
Miguel Sánchez, de Rodes Marinheiro
Antonio Hernández Colmenero, de Huelva Marinheiro
Francisco Rodrigues, português de Sevilha Marinheiro
Juan Rodríguez, de Huelva Marinheiro
Diego Carmena Marinheiro
Hans de Aachen (João de Aquisgrão) Artilheiro
Juan de Arratia, de Bilbao Marinheiro
Vasco Gómez Gallego o Português, de Baiona Marinheiro
Juan de Santandrés, de Cueto Grumete
Juan de Zubileta, de Barakaldo Pajem - Registado no livro de bordo Juan de Vizcaya com 14 anos de idade.

Apenas quatro homens dos 55 da tripulação original do Trinidad finalmente regressaram a Espanha em 1525.

Notas

  1. Muitas vezes referenciado como Fernando de Magalhães

[editar] Bibliografia

  • GUILLEMARD, Francis; PIGAFETTA, Antonio; ALBO, Francisco; CORREA, Gaspar. - Magellan. Viartis, 2008. ISBN 9781906421007
  • PIGAFETTA, Antonio. A Primeira Viagem ao Redor do Mundo. Porto Alegre: L&PM, 1986. Coleção Descobertas. ISBN 8525414328

[editar] Ligações externas


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